
Política
Visto que as eleições deste ano se aproximam, um fator perigoso – e que muitas pessoas podem acabar negligenciando – consiste no uso tecnológico da Inteligência Artificial (IA) dur...
Maria Clara Pasqualeto
29 de abril de 2026 • 4 min de leitura
Visto que as eleições deste ano se aproximam, um fator perigoso – e que muitas pessoas podem acabar negligenciando – consiste no uso tecnológico da Inteligência Artificial (IA) durante o período eleitoral. O recurso, quando utilizado com más intenções, pode comprometer a autenticidade das informações, além de possuir um alto potencial para a geração de deepfakes.
Segundo Luís Mauá, professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e especialista em IA, a ferramenta é extremamente eficaz na criação de conteúdos enganosos devido à sua capacidade de produção rápida e automatizada.
“A IA amplia significativamente a capacidade de produzir desinformação, pois reduz custo, tempo e esforço para criar conteúdos falsos com aparência profissional. Hoje, uma pessoa ou grupo consegue gerar textos persuasivos em larga escala, criar imagens manipuladas, simular áudios com vozes idênticas às de figuras públicas e até montar vídeos sintéticos com aparência convincente”.
Ainda de acordo com o profissional, a velocidade de repercussão na mídia também levanta um alerta, especialmente considerando o compartilhamento realizado por milhares de pessoas em questão de segundos.
“Um conteúdo falso produzido com IA pode ser publicado em minutos, segmentado para públicos específicos e impulsionado por diferentes contas e canais antes mesmo de haver checagem. O risco não está só na mentira explícita, mas também na manipulação de contexto, na edição enganosa e na fabricação de ‘provas’ falsas para influenciar percepções sobre candidatos, partidos e o próprio processo eleitoral”.
Devido à popularização e à acessibilidade da Inteligência Artificial na criação de conteúdo, Mauá explica que as eleições de 2026 podem apresentar um potencial de desinformação superior ao de anos anteriores.
“As eleições de 2026 tendem a ser mais vulneráveis do que pleitos anteriores porque as ferramentas de IA ficaram mais acessíveis, baratas e fáceis de usar. O que antes exigia equipes técnicas ou softwares avançados, atualmente pode ser feito com interfaces simples. Além disso, a qualidade do conteúdo sintético melhorou muito, especialmente em voz, imagem e vídeo”.
Do mesmo modo, o docente destaca que normas legais foram implementadas em relação ao assunto, a fim de realizar um processo justo.
Portanto, o uso de IA é permitido; porém, é obrigatório especificar quando há a presença do recurso nas produções.
“O TSE já regulamentou o tema, proibiu deepfakes na propaganda eleitoral, passou a exigir aviso explícito quando houver uso de IA”, explica o especialista.
Mauá lista diversos tipos de produções falsas que a tecnologia pode gerar. Contudo, ele menciona pontos que exigem maior atenção, considerando as imagens e vozes que podem parecer muito realísticas – mas não são.
“As tecnologias que mais me preocupam são as de geração multimodal, pois permitem manipular texto, imagem, áudio e vídeo de forma integrada. Na prática, isso significa que é possível criar uma falsa denúncia em texto, acompanhá-la com uma imagem aparentemente real, somar um áudio que imita a voz de uma autoridade e, em casos mais graves, acrescentar um vídeo sintético para dar aparência de prova”.
Dentre as principais criações maliciosas por intermédio da IA, o especialista destaca:
O professor finaliza explicando que os hábitos conscientes nos ambientes digitais são fundamentais para a proteção contra conteúdos enganosos.
Essas atitudes são, na verdade, simples, sem a necessidade de ser um especialista para realizá-las.
“Alguns hábitos importantes são não compartilhar conteúdos políticos imediatamente (principalmente se ele provocar espanto ou indignação), verificar se a informação aparece em fontes confiáveis (como veículos jornalísticos reconhecidos ou canais oficiais). Além disso, é preciso desconfiar de materiais sem contexto, sem data, sem fonte original ou que chegam com frases como ‘apagaram rápido’, ‘a mídia não vai mostrar’ ou ‘compartilhe antes que removam'”.
Em relação aos possíveis sinais de alerta, Mauá menciona alguns indícios característicos das produções realizadas por IA. Estes podem incluir:
Visto que as eleições deste ano se aproximam, um fator perigoso – e que muitas pessoas podem acabar negligenciando – consiste no uso tecnológico da Inteligência Artificial (IA) durante o período eleitoral. O recurso, quando utilizado com más intenções, pode comprometer a autenticidade das informações, além de possuir um alto potencial para a geração de deepfakes.
Segundo Luís Mauá, professor da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e especialista em IA, a ferramenta é extremamente eficaz na criação de conteúdos enganosos devido à sua capacidade de produção rápida e automatizada.
“A IA amplia significativamente a capacidade de produzir desinformação, pois reduz custo, tempo e esforço para criar conteúdos falsos com aparência profissional. Hoje, uma pessoa ou grupo consegue gerar textos persuasivos em larga escala, criar imagens manipuladas, simular áudios com vozes idênticas às de figuras públicas e até montar vídeos sintéticos com aparência convincente”.
Ainda de acordo com o profissional, a velocidade de repercussão na mídia também levanta um alerta, especialmente considerando o compartilhamento realizado por milhares de pessoas em questão de segundos.
“Um conteúdo falso produzido com IA pode ser publicado em minutos, segmentado para públicos específicos e impulsionado por diferentes contas e canais antes mesmo de haver checagem. O risco não está só na mentira explícita, mas também na manipulação de contexto, na edição enganosa e na fabricação de ‘provas’ falsas para influenciar percepções sobre candidatos, partidos e o próprio processo eleitoral”.
Devido à popularização e à acessibilidade da Inteligência Artificial na criação de conteúdo, Mauá explica que as eleições de 2026 podem apresentar um potencial de desinformação superior ao de anos anteriores.
“As eleições de 2026 tendem a ser mais vulneráveis do que pleitos anteriores porque as ferramentas de IA ficaram mais acessíveis, baratas e fáceis de usar. O que antes exigia equipes técnicas ou softwares avançados, atualmente pode ser feito com interfaces simples. Além disso, a qualidade do conteúdo sintético melhorou muito, especialmente em voz, imagem e vídeo”.
Do mesmo modo, o docente destaca que normas legais foram implementadas em relação ao assunto, a fim de realizar um processo justo.
Portanto, o uso de IA é permitido; porém, é obrigatório especificar quando há a presença do recurso nas produções.
“O TSE já regulamentou o tema, proibiu deepfakes na propaganda eleitoral, passou a exigir aviso explícito quando houver uso de IA”, explica o especialista.
Mauá lista diversos tipos de produções falsas que a tecnologia pode gerar. Contudo, ele menciona pontos que exigem maior atenção, considerando as imagens e vozes que podem parecer muito realísticas – mas não são.
“As tecnologias que mais me preocupam são as de geração multimodal, pois permitem manipular texto, imagem, áudio e vídeo de forma integrada. Na prática, isso significa que é possível criar uma falsa denúncia em texto, acompanhá-la com uma imagem aparentemente real, somar um áudio que imita a voz de uma autoridade e, em casos mais graves, acrescentar um vídeo sintético para dar aparência de prova”.
Dentre as principais criações maliciosas por intermédio da IA, o especialista destaca:
O professor finaliza explicando que os hábitos conscientes nos ambientes digitais são fundamentais para a proteção contra conteúdos enganosos.
Essas atitudes são, na verdade, simples, sem a necessidade de ser um especialista para realizá-las.
“Alguns hábitos importantes são não compartilhar conteúdos políticos imediatamente (principalmente se ele provocar espanto ou indignação), verificar se a informação aparece em fontes confiáveis (como veículos jornalísticos reconhecidos ou canais oficiais). Além disso, é preciso desconfiar de materiais sem contexto, sem data, sem fonte original ou que chegam com frases como ‘apagaram rápido’, ‘a mídia não vai mostrar’ ou ‘compartilhe antes que removam'”.
Em relação aos possíveis sinais de alerta, Mauá menciona alguns indícios característicos das produções realizadas por IA. Estes podem incluir: